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'Não traz felicidade, nem meu filho de volta', diz pai que vai receber R$ 2 mi em indenização após morte de adolescente em acidente com BMW

Motorista é condenada a pagar R$ 2 milhões por acidente que matou adolescente Os pais de Anthony Pietro, que serão indenizados em mais de R$ 2 milhões pela ...

'Não traz felicidade, nem meu filho de volta', diz pai que vai receber R$ 2 mi em indenização após morte de adolescente em acidente com BMW
'Não traz felicidade, nem meu filho de volta', diz pai que vai receber R$ 2 mi em indenização após morte de adolescente em acidente com BMW (Foto: Reprodução)

Motorista é condenada a pagar R$ 2 milhões por acidente que matou adolescente Os pais de Anthony Pietro, que serão indenizados em mais de R$ 2 milhões pela morte do filho em um acidente, avaliaram a condenação da motorista como uma vitória. Apesar disso, dizem que a decisão não reduz a dor da perda. Quem deverá pagar o valor aos pais do adolescente é a motorista da BMW envolvida no acidente, Maria do Carmo Carneiro, de 78 anos. "É mais uma batalha ganha, traz um pouco de sensação de que a justiça está sendo feita, porém esse dinheiro não nos traz felicidades e, infelizmente, nem meu filho de volta", disse o pai de Anthony, Luiz Thiago Rosa. ✅ Siga o canal do g1 Maringá e região no WhatsApp O acidente aconteceu no dia 24 de novembro de 2024, na rodovia PR-558, em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. Anthony tinha 14 anos e estava voltando para casa com o pai, após fazer um vestibular. Entenda mais abaixo. Maria do Carmo chegou a ser presa em flagrante e foi indiciada pelos crimes de homicídio doloso com dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, lesão corporal culposa agravada, condução sob influência de álcool e por dirigir com carteira de habilitação suspensa. Anthony Pietro e o pai Luiz Thiago Rosa. Jovem tinha 14 anos, quando morreu em acidente. Cedida/ Luiz Thiago Rosa A motorista ainda pode recorrer da decisão, tomada na esfera cível. Maria do Carmo ainda deve responder pelos crimes na esfera criminal, em que a Justiça determinou que ela seja julgada por um júri popular. A defesa dela recorreu dessa decisão, mas o recurso ainda não foi julgado. "A intenção sempre foi pesar bastante nessa questão cível, no intuito de punir ela, pois sabemos que, mediante a idade que ela está hoje, o criminal não será tão rigoroso", explicou Thiago. Na sentença, a Justiça considerou que o valor pedido pelos advogados da família é compatível com a renda da denunciada. "A capacidade econômica considerável da ré [...] permite a fixação de valor indenizatório que cumpra efetivamente as funções compensatória, punitiva e preventiva da responsabilidade civil, sem comprometer a subsistência da ré", diz o documento. Ele conta que a esposa ainda sofre com a perda do filho e faz tratamento psicológico e psiquiátrico. Além disso, a filha de 9 anos também sente a falta do irmão, segundo Thiago. "Que a condenação dessa senhora sirva como exemplo para a sociedade e para que nossas autoridades olhem com mais atenção os casos de mortes por embriaguez ao volante, que as penas sejam exemplares e rigorosas", finaliza. Maria do Carmo foi condenada a indenizar família de adolescente que morreu em acidente em que ela se envolveu. Reprodução/Redes sociais Motorista foi condenada a indenizar pais da vítima por danos morais e materiais A condenação foi decidida pelo juiz Marco Antonio dos Santos, na Vara Cível de Peabiru. A sentença reconheceu a culpa da motorista pelo acidente, devido ao excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e fortes indícios de embriaguez. Na decisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 2 milhões por danos morais, divididos entre o pai e a mãe de Anthony. Também solicitou que Maria do Carmo pague R$ 31.257,76 por danos materiais, devido a despesas hospitalares e com o funeral do adolescente. Contudo, o juiz negou os pedidos de pensão vitalícia, pagamento de tratamento psicológico e psiquiátrico e indenizações futuras, por entender que a família não dependia financeiramente do adolescente. Procurado pelo g1, o advogado de Maria do Carmo informou que não vai se manifestar sobre a condenação. Anthony Pietro, de 14 anos, morreu após BMW bater no carro em que ele estava Arquivo Familiar O que diz a sentença O g1 teve acesso ao documento da sentença. Nela, consta que o juiz tomou a decisão de condenar Maria do Carmo com base no laudo da perícia e no parecer técnico contratado pelos pais de Anthony. Ambos os documentos apontaram que a BMW invadiu a pista contrária, em uma velocidade muito acima do limite. Conforme os laudos, o veículo atingiu a velocidade de 137 km/h, enquanto o limite permitido na via era de 80 km/h. Impacto foi tão violento que motor da BMW foi arrancado e veículo pegou fogo RPC A defesa tentou argumentar, por meio de um parecer técnico, que a motorista teve a visão ofuscada pelo sol em uma curva no local. Porém, o argumento foi rejeitado pelo juiz, que apontou erros técnicos e disse que as testemunhas contradisseram a versão da denunciada. Além disso, foram listados indícios de que Maria do Carmo estava bêbada. Segundo o documento, enfermeiros e o pai de Anthony disseram que ela estava com odor etílico e que apresentou "comportamento ríspido e fora da realidade". Também consta que a motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro, depois que um médico da família chegou ao hospital e interveio no atendimento. Durante as investigações, a polícia ainda comprovou, por meio de consultas ao Infoseg e ao Detran, que a mulher estava com a CNH suspensa. Segundo os documentos anexados nos autos dos processos, a suspensão ocorreu devido à reincidência e ao acúmulo de infrações de trânsito de natureza grave e gravíssima, além de excesso de velocidade e direção perigosa. Relembre o acidente Thiago, pai de Anthony, afirma que não conseguiu desviar do carro, que, segundo ele, estava em alta velocidade e andando pela pista em zigue-zague. O impacto foi tão violento que o motor da BMW foi arrancado e o veículo pegou fogo às margens da rodovia. O pai contou que ele e o filho voltavam para Araruna, onde moravam. Os dois tinham ido a Campo Mourão, onde o adolescente fez uma prova para ingressar no ensino técnico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). "Ele morreu com o gabarito na mão. Antes, ele falou 'pai, eu acho que passei'. Ele só queria estudar", lamenta o pai. De acordo com a família, Anthony era um adolescente tranquilo, com aptidão para a música. O menino gostava de tocar violão, guitarra e bateria. Gostava também de andar de skate e acompanhar jogos de futebol. Ele deixou os pais e uma irmã mais nova. Vídeos mais assistidos do g1 PR: Leia mais notícias do g1 Norte e Noroeste.